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Infecção urinária em criança: quando é grave de verdade

Dr. João Estrela · ·4 min de leitura ·Revisado por Dr. João Estrela, CRM-BA 27225, RQE 20093, em 28/09/2026

A infecção urinária é uma das principais causas de febre sem causa aparente em bebês e crianças pequenas. Preocupa mais quando atinge o rim, quando a criança tem menos de 2 anos ou quando a infecção se repete, porque o rim em formação pode ficar com cicatriz.

Tratada cedo e com o antibiótico certo, na maioria das vezes não deixa sequela.

A pergunta que a mãe faz na cadeira do consultório

"Doutor, ele está com febre há dois dias e o pediatra não achou nada. Pode ser dos rins?"

Pode. Em bebê, a infecção urinária não dá o sintoma clássico que a gente conhece no adulto. Não tem queixa de ardência, não tem aviso. Tem febre, irritação, recusa de comida, às vezes vômito e choro na hora de urinar.

Por isso a regra que eu repito para toda família: febre sem foco em criança pequena pede exame de urina.

O que muda entre a bexiga e o rim

Infecção urinária é a presença de bactéria no trato urinário. Ela pode ficar na bexiga, e aí chamamos de cistite, ou subir para o rim, e aí chamamos de pielonefrite.

Essa diferença não é detalhe de nomenclatura. A cistite incomoda, arde, dá vontade de urinar toda hora. A pielonefrite dá febre alta, prostração, dor lombar, e é a que pode deixar cicatriz no rim.

Na infância, a infecção renal é a que realmente preocupa.

Os sinais mudam com a idade

Em bebês, o quadro costuma ser febre sem foco, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos e choro ao urinar.

Em crianças maiores, que já sabem contar o que sentem, aparece ardor ao urinar, vontade de ir ao banheiro toda hora, dor na barriga ou nas costas e urina com cheiro forte.

Cheiro forte de urina sozinho não fecha diagnóstico. Muita gente chega no consultório só com isso, e na maioria das vezes é concentração da urina, não infecção.

O diagnóstico depende de uma coleta bem feita

Esse é o ponto que mais atrapalha na prática. Urina coletada em saquinho colado na pele contamina com facilidade, e um resultado contaminado leva a tratamento errado, antibiótico à toa e diagnóstico que nunca se confirma.

O exame de urina simples, o EAS, levanta a suspeita. A urocultura confirma e mostra qual bactéria é e a qual antibiótico ela responde.

Eu prefiro segurar o diagnóstico e repetir a coleta direito a tratar em cima de um exame duvidoso.

Quando a infecção urinária é mais preocupante

Alguns quadros pedem atenção redobrada: febre alta que persiste, sinais de infecção no rim, bebês com menos de 2 anos e infecção urinária que volta.

Nessas situações, a investigação vai além do tratamento do episódio. Pode entrar ultrassonografia dos rins e das vias urinárias, uretrocistografia miccional em casos selecionados e, quando existe suspeita de cicatriz, cintilografia renal.

É nessa hora que aparece um diagnóstico que muitas famílias nunca ouviram falar: o refluxo vesicoureteral, que é o xixi voltando da bexiga para o rim.

Outra causa frequente de infecção de repetição é a criança segurar o xixi e não esvaziar a bexiga direito, o que eu explico na página sobre xixi na calça depois do desfralde.

O tratamento e o que ele protege

O tratamento é antibiótico orientado pela urocultura, controle da febre e hidratação. Em casos específicos, entra profilaxia com antibiótico em dose baixa por um período, para evitar que a infecção volte enquanto a causa é investigada.

O objetivo não é só fazer a febre passar. É proteger o rim.

Infecções repetidas ou mal tratadas podem levar a cicatriz renal, e a cicatriz tem consequência lá na frente: pressão alta e perda de função renal na vida adulta. Tratar cedo é o que evita esse caminho.

Perguntas frequentes

Toda febre em bebê é infecção urinária?

Não, mas é uma das causas importantes de febre sem foco. Quando o pediatra examina e não encontra explicação, o exame de urina entra na investigação.

Infecção urinária sempre deixa cicatriz no rim?

Não. O risco aumenta quando a infecção chega ao rim e quando o tratamento demora a começar. Episódio único, tratado rápido, raramente deixa marca.

Infecção urinária em criança pode voltar?

Pode, e é justamente a recorrência que pede investigação da causa. Por isso o acompanhamento depois do primeiro episódio faz diferença.

Preciso fazer ultrassom depois da primeira infecção?

Em bebês e nos casos com febre alta, costuma ser indicado. Em criança maior com cistite simples e boa resposta ao tratamento, nem sempre é necessário.

Dá para tratar infecção urinária sem antibiótico?

Não. Infecção urinária confirmada em criança precisa de antibiótico, escolhido pela urocultura. Hidratação e higiene ajudam na prevenção, não substituem o tratamento.

Fontes

Sobre o autor

Dr. João Estrela é médico urologista em Salvador-BA, com atuação em urologia pediátrica, cirurgia robótica e vasectomia sem cortes. Formado pela UFBA, com residência em Cirurgia Geral e em Urologia, atende crianças e adultos com foco em diagnóstico correto antes de qualquer indicação cirúrgica.

CRM-BA 27225 · RQE 20093 · Salvador, BA

Aviso: este conteúdo é informativo e educativo e não substitui uma consulta médica. Só a avaliação com um urologista de confiança pode dizer o que vale para o caso do seu filho.

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Publicado em 25 de setembro de 2026 · Xixi e infecção urinária

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